Durante anos, a área da saúde buscou inovação em tecnologia, painéis e novos modelos de atendimento. Mas a verdadeira revolução reside em algo mais simples: fazer consistentemente o que é obviamente certo, sem esperar por permissão. Não se trata de avanços futuristas; trata-se de redescobrir os fundamentos do cuidado compassivo e eficaz.
Nosso sistema tornou-se desnecessariamente complexo, priorizando procedimentos em detrimento de pessoas. O antídoto não é mais ciência ou iniciativas multimilionárias – é o senso comum radical : uma recusa em aceitar a complexidade desnecessária, a ambiguidade moral e a inércia processual que silenciosamente se tornaram as configurações padrão dos cuidados de saúde.
O problema dos cuidados de saúde modernos
A saúde hoje normaliza o anormal. Transferências intermináveis, fluxos de trabalho confusos e atalhos éticos justificam-se através da pressão competitiva e da retórica corporativa. O sistema foi projetado para si mesmo e não para os pacientes que atende. É por isso que pequenos atos humanos parecem heróicos em vez de normais.
Cinco Princípios do Senso Comum Radical
O bom senso radical não se trata de invenções inovadoras; trata-se de retornar aos princípios fundamentais. Veja como aplicá-lo:
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Centre o ser humano, não a abstração. Pare de tratar os pacientes como clientes, códigos ou coortes. Em vez disso, pergunte: “O que essa pessoa realmente precisa?” Não o que o protocolo diz, mas o que o indivíduo exige. Os médicos que lideram com coração, humildade e clareza moral impulsionam avanços.
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Simplifique o que complicamos desnecessariamente. O setor de saúde está repleto de excessos administrativos: referências, autorizações prévias, intermináveis árvores telefônicas. A pergunta deveria ser: “Por que existe esta etapa?” Se não ajudar ninguém, remova-o. As melhores melhorias não são inovações; são subtrações.
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Faça a coisa certa, especialmente quando for inconveniente. Integridade não é apenas um valor no gráfico corporativo. É o que acontece quando fazer a coisa certa custa dinheiro, tempo ou capital político. Sem jogos de codificação, sem erosão ética e sem justificativa de comportamento que você não defenderia publicamente.
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Levar o julgamento e a autoridade para a linha de frente. A “economia da permissão” sufoca pessoas capazes que sabem o que é certo, mas esperam pela aprovação. Redistribua a autoridade para as pessoas mais próximas do trabalho – a cabeceira, a visita domiciliar, o call center. As regras são essenciais, mas o julgamento é insubstituível.
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Elimine o trabalho que serve a instituição, mas não a missão. A saúde acumula rituais inúteis: relatórios que ninguém lê, reuniões sem propósito, métricas que medem a atividade em vez do progresso. Se algo desaparecer amanhã sem causar danos, elimine-o.
A necessidade de falar francamente
A linguagem eufemística da saúde obscurece a realidade. “Gerenciamento da utilização” significa dificultar o cuidado. “Fechar a lacuna no cuidado” significa não conseguir se conectar efetivamente com os pacientes. “Ativação” significa que o sistema está confuso. O bom senso radical exige um discurso claro: as pessoas não conseguem marcar consultas, os processos são frustrantes e o sistema muitas vezes dá prioridade a si próprio em detrimento dos pacientes.
Por que o bom senso radical é importante agora
Apesar das promessas ambiciosas de IA e de transformação digital, os cuidados de saúde ainda não conseguem resolver problemas quotidianos: fricção, confusão, inconsistência moral. O incrementalismo é rotineiramente comercializado como revolução. O bom senso radical não é antitecnologia ou simplista; é um retorno aos primeiros princípios: ver as pessoas com clareza, dizer a verdade, eliminar o absurdo, honrar o julgamento, agir com integridade e priorizar a humanidade.
As inovações mais profundas na área da saúde não são novas; são verdades redescobertas que paramos de praticar. Num sistema viciado em complexidade, a ideia mais radical de todas é simplesmente esta: bom senso, aplicado com ousadia e sem desculpas.
Este é o futuro que a saúde merece.

















