A gabapentina, originalmente desenvolvida para tratar convulsões, tornou-se cada vez mais comum no tratamento de vários tipos de dor. As prescrições aumentaram 150% desde 2010, atingindo 73,1 milhões em 2024. Este aumento não é acidental – o marketing agressivo, o uso off-label mais amplo (prescrição para condições além da aprovação da FDA) e o desejo de reduzir a dependência de opiáceos desempenham um papel. Mas será que a gabapentina é verdadeiramente eficaz no alívio da dor e quem deve considerá-la?
O que é gabapentina e por que é tão popular?
A gabapentina (vendida sob marcas como Neurontin, Gralise e Horizant) é aprovada pela FDA para três condições: convulsões parciais, neuralgia pós-herpética (dor nos nervos após herpes zoster) e síndrome das pernas inquietas. No entanto, é frequentemente prescrito “off-label” para outros tipos de dor, incluindo fibromialgia, síndrome do intestino irritável e até dores nas costas.
A mudança para a gabapentina deve-se em parte ao declínio nas prescrições de opiáceos para a dor crónica. Os médicos procuram alternativas e a gabapentina parece segura e eficaz para dores relacionadas aos nervos. Como observa um especialista: “Como toda dor é transmitida pelos nervos, a popularidade da prescrição de analgésicos nos nervos aumentou”. A disponibilidade limitada de novos medicamentos para a dor também contribui.
A gabapentina difere dos opioides por não interagir com os receptores opioides; em vez disso, retarda a transmissão do sinal nervoso, afetando os canais de cálcio. Ao contrário dos AINEs (como o ibuprofeno), que têm como alvo a inflamação, a gabapentina atua diretamente nos próprios nervos.
Que tipo de dor a gabapentina trata de maneira eficaz?
Embora o uso off-label seja generalizado, a eficácia da gabapentina varia.
- Nevralgia pós-herpética (NPH): Este é um uso aprovado pela FDA, tornando a gabapentina uma opção de primeira linha para dores nervosas relacionadas ao herpes zoster.
- Síndrome das Pernas Inquietas (SPI): As diretrizes médicas recomendam gabapentina como parte do tratamento da SPI.
- Neuropatia diabética: Embora não seja aprovada pela FDA para esse fim, é frequentemente recomendada por especialistas em diabetes como tratamento de primeira linha, embora sejam necessárias mais pesquisas.
No entanto, a evidência da gabapentina em condições como ciática, enxaquecas e dor lombar é mais fraca. Os especialistas alertam contra a dependência dele para estas questões devido aos dados de apoio limitados. “A evidência que apoia o uso off-label da gabapentina para a maioria das condições clínicas… é limitada”, explica um investigador.
Riscos, efeitos colaterais e quem deve evitá-los
Como todos os medicamentos, a gabapentina apresenta riscos:
- Efeitos colaterais comuns: Sonolência, tontura, dor de cabeça, visão embaçada, ganho de peso.
- Riscos graves: Confusão, perda de memória, dificuldade em respirar, coloração azulada da pele (procure atendimento médico imediato).
- Potencial para uso indevido: A combinação de gabapentina com opioides ou sedativos aumenta o risco de quedas e dependência, especialmente em adultos mais velhos.
Certos grupos devem ser cautelosos:
- Idosos: Aumento do risco de sonolência e quedas.
- Pessoas com problemas pulmonares ou renais: Pode piorar a respiração ou causar toxicidade.
- Mulheres grávidas: Pesquisas limitadas sugerem riscos potenciais para o feto.
Quem poderia se beneficiar com a gabapentina?
A gabapentina pode ser uma boa opção para pessoas com condições confirmadas de dor relacionada aos nervos. No entanto, discuta os riscos e benefícios com seu médico.
Em vez de apenas pedir uma receita, explique como a dor afeta sua vida diária. Além disso, explore outras opções: fisioterapia, tratamentos tópicos, atenção plena e mudanças no estilo de vida. A medicação pode ser apenas uma peça do quebra-cabeça.
“Às vezes, a medicação ajuda os pacientes – mesmo quando prescrita off-label, como a gabapentina. É importante ter uma discussão sobre risco-recompensa com seu médico para ver se é a opção certa para você.”
O resultado final
A gabapentina é aprovada pela FDA para convulsões, neuralgia pós-herpética e síndrome das pernas inquietas. Seu uso off-label para outras condições de dor é comum, mas requer consideração cuidadosa. Se você sentir dores nos nervos, converse com seu médico para determinar se a gabapentina é a escolha certa para você.
Fontes: Veja o artigo original para fontes editoriais.



















