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Durante décadas, a mamografia tem sido o “padrão ouro” indiscutível para o rastreio do cancro da mama. No entanto, apesar do seu estatuto, a comunidade médica enfrenta uma crise dupla: baixa adesão ao rastreio e limitações de diagnóstico.

Dados recentes destacam uma tendência preocupante. Nos Estados Unidos, espera-se que aproximadamente 380.000 mulheres sejam diagnosticadas com cancro da mama este ano – um número que tem aumentado constantemente há mais de uma década. Para agravar esta situação está o facto de que, mesmo quando as mulheres são submetidas a mamografias, a tecnologia deixa escapar cerca de um em cada oito cancros. Esta lacuna é particularmente perigosa para 40% das mulheres com tecido mamário denso, onde os tumores podem ser facilmente obscurecidos.

À medida que as orientações tradicionais mudam e as lacunas de diagnóstico persistem, novas tecnologias estão a surgir para preencher o vazio. Um dos desenvolvimentos mais promissores é a tecnologia de ultrassom 3D, que visa fornecer imagens de alta precisão sem as desvantagens de radiação, compressão ou contraste químico.

O problema das modalidades atuais

Para compreender por que são necessárias novas ferramentas, é necessário olhar para as limitações das actuais opções disponíveis para as mulheres, especialmente aquelas na categoria de “risco intermédio”:

  • Mamografia: utiliza radiação e requer compressão mamária dolorosa. Crucialmente, o tecido denso aparece branco na mamografia – a mesma cor de muitos tumores – dificultando a detecção.
  • Ressonância magnética: Altamente precisa, mas cara, requer a injeção de agentes de contraste e necessita de radiologistas especializados para interpretar os resultados.
  • Ultrassonografia portátil: Eficaz, mas altamente “dependente do operador”, o que significa que a qualidade dos resultados depende muito da habilidade do ultrassonografista específico que realiza o exame.

Uma nova abordagem: ultrassom 3D

Uma empresa de dispositivos médicos chamada QT Imaging está trabalhando para revolucionar esse cenário com um scanner de ultrassom 3D projetado para ser mais acessível e menos invasivo.

Ao contrário dos métodos tradicionais, o processo envolve a paciente deitada de bruços com a mama submersa em um tanque com água morna clorada. Um anel de transdutores gira ao redor da mama, capturando aproximadamente 60 “fatias” detalhadas para criar uma reconstrução completa em 3D.

As principais vantagens desta tecnologia incluem:
Sem radiação ou compressão: É um processo não invasivo e indolor.
Não é necessário contraste: Ao contrário das ressonâncias magnéticas, não há necessidade de injeções químicas.
Dependência reduzida do operador: O sistema foi projetado para que assistentes médicos, em vez de ultrassonografistas altamente especializados, possam realizar o exame, aumentando potencialmente a disponibilidade.
Alta precisão: Dados clínicos iniciais sugerem que a tecnologia pode distinguir entre cistos e massas sólidas e pode até detectar calcificações – um feito com o qual a ressonância magnética muitas vezes tem dificuldade.

Validação Clínica: Funciona?

Embora a tecnologia seja promissora, a comunidade médica exige provas rigorosas antes da adoção generalizada. Os primeiros estudos comparativos são encorajadores. Em um estudo preliminar realizado com a Clínica Mayo, o scanner QT detectou todos os achados identificados pela ressonância magnética. Num caso, o ultrassom 3D identificou corretamente um achado como benigno quando uma ressonância magnética o sinalizou como suspeito, poupando potencialmente o paciente de uma biópsia desnecessária.

A pesquisa atual também está explorando o uso da ferramenta como um mecanismo de vigilância. Como carece de radiação e contraste, poderia teoricamente ser utilizado frequentemente para monitorizar a forma como um tumor responde à quimioterapia – um cenário em que mamografias ou ressonâncias magnéticas repetidas representariam riscos para a saúde.

O caminho para a acessibilidade

Apesar do seu potencial, o ultrassom 3D ainda não substitui a mamografia; em vez disso, é posicionado como uma ferramenta suplementar, especialmente para mulheres com tecido mamário denso.

No entanto, permanecem dois obstáculos significativos: custo e cobertura.
1. Custos diretos: Atualmente, os exames custam entre US$ 600 e US$ 700, pois a maioria das seguradoras ainda não cobre o procedimento.
2. Integração de seguros: Embora a empresa tenha garantido um código de reembolso de “Categoria III” – um trampolim para a cobertura total – ela não verá uma mudança em direção ao reembolso padrão de “Categoria I” (e, portanto, ampla cobertura de seguro) até pelo menos 2027.

“Continuamos nos comparando com a ressonância magnética e mostrando repetidamente que a sensibilidade e a especificidade estão presentes”, diz a Dra. Raluca Dinu, CEO da QT Imaging.

Conclusão

À medida que a ciência médica avança em direção a diagnósticos mais personalizados e menos invasivos, o ultrassom 3D representa um avanço significativo na abordagem dos “pontos cegos” da mamografia tradicional. Embora permaneçam obstáculos em termos de custos e seguros, a tecnologia oferece uma nova opção vital para mulheres que procuram uma monitorização da saúde da mama mais precisa e sem radiação.